CÂNCER DE INTESTINO GROSSO

O que é?

O nome “câncer colorretal” engloba os tumores malignos que se originam no intestino grosso ou no reto. O Instituto Nacional do Câncer estimou cerca de 34.280 novos casos desta doença em 2016 no Brasil. Apresenta altas taxas de cura quando diagnosticado em estágios iniciais, sendo muito importantes as estratégias para diagnóstico precoce.

Geralmente, esses tumores se iniciam a partir de pólipos (lesões benignas que se projetam na parede interna do intestino), e com o passar do tempo estas lesões podem se transformar em tumores malignos. A detecção e remoção desses pólipos pela colonoscopia reduz o risco de desenvolvimento da doença.

Sinais e sintomas

Os sinais e sintomas do câncer colorretal dependem da localização do tumor no intestino e, inicialmente, podem ser inespecíficos. Dentre os mais frequentes podemos citar:

  • Dor ou desconforto abdominal (cólicas frequentes; excesso de gases);
  • Mudança do hábito intestinal (diarréia ou constipação intestinal);
  • Sangramento anal ou sangramento nas fezes;
  • Sensação de evacuação incompleta;
  • Dor ao evacuar;
  • Fraqueza;
  • Anemia;
  • Perda de peso inexplicada;
  • Náuseas e vômitos;
  • Redução no diâmetro das fezes;
  • Obstrução intestinal;
  • Alteração na coloração das fezes (escuras);
  • Aumento do volume abdominal, massas ou tumores palpáveis;

Na presença destes sintomas, o paciente deve procurar atendimento médico específico.

Causas (Fatores predisponentes)

Dentre os principais fatores de risco para o câncer colorretal podemos citar:

  • Idade acima de 50 anos;
  • História familiar de câncer colorretal;
  • Pólipos intestinais (adenomatosos);
  • História pessoal de outros tipos de câncer como: ovário, endométrio ou mama;
  • Obesidade;
  • Sedentarismo;
  • Doenças inflamatórias do intestino (Retocolite ulcerativa e Doença de Crohn);
  • Doenças hereditárias, como Polipose adenomatosa familiar (FAP) e Síndrome de Lynch ou Câncer Colorretal não polipóide hereditário (HNPCC);
  • Álcool;
  • Tabagismo;
  • Dieta rica em carnes vermelhas, com baixo teor de cálcio, pobres em frutas frescas e vegetais.

Prevenção

Como prevenção primária do câncer colorretal é recomendada uma dieta saudável, rica em vegetais, frutas e fibras. Deve-se evitar o excesso de alimentos com alto teor de gordura animal, particularmente carnes vermelhas. Além disso, a prática regular de exercícios físicos é considerado fator protetor contra a doença. Deve-se evitar também o consumo de álcool e tabaco.

No que se refere ao diagnóstico precoce, está indicado a realização dos exames de rastreamento a partir dos 50 anos de idade, em pacientes que não são considerados como de alto risco. Para estes pacientes o rastreamento consiste em realização do exame de sangue oculto nas fezes anualmente, associado à um método de visualização da porção interna do intestino: colonoscopia a cada 10 anos se o exame for normal ou retossigmoidoscopia flexível a cada 5 anos se o exame for normal.

Os pacientes abaixo são considerados de alto risco e o rastreamento deve ser intensificado:

  • Histórico de síndrome hereditária relacionada ao câncer colorretal, como por exemplo polipose adenomatosa familiar ou câncer colorretal hereditário não-polipóide.
  • Histórico de câncer colorretal prévio ou pólipo adenomatoso, especialmente se grande, múltiplos ou do tipo viloso.
  • Histórico de doença inflamatória intestinal (retocolite ulcerativa ou doença de Crohn)
  • Histórico familiar de câncer colorretal, particularmente se em idade jovem, em parentes de primeiro grau e múltiplos parentes afetados.

Para indivíduos com histórico familiar de câncer colorretal em parentes de primeiro grau, a colonoscopia deve ser realizada aos 40 anos ou 10 anos antes da idade em que o parente desenvolveu o câncer. Pacientes com diagnóstico de pólipos adenomatosos de baixo risco (únicos, <1 cm, displasia de baixo grau, tubulares) podem repetir a colonoscopia em 5 anos. Aqueles com pólipos múltiplos (mais de 3 ), > 1cm, com componente viloso ou displasia de alto grau, a colonoscopia deve ser repetida em 2 a 3 anos.

Pacientes com diagnóstico de síndrome hereditária não-polipóide devem iniciar o rastreamento entre 21 e 25 anos ou 10 anos antes do caso mais jovem da família. A colonoscopia neste caso deve ser repetida bianualmente até os 40 anos e a seguir, anualmente. Os pacientes com fatores de risco para polipose adenomatosa familiar devem iniciar o rastreamento entre 10-12 anos, com colonoscopia ou retosigmoidoscopia.

Diagnóstico

O diagnóstico confirmatório da doença é feito através da biópsia (exame do fragmento da lesão suspeita). A retirada deste fragmento é feita durante a colonoscopia ou retossigmoidoscopia e o material é encaminhado para estudo anátomopatológico. Em algumas situações o diagnostico histológico pode ser realizado através da biópsia de uma lesão metastática (no fígado por exemplo) ou através da análise do espécime obtido através do ato cirúrgico (por exemplo em pacientes com obstrução intestinal e submetidos a cirurgia de urgência sem diagnostico prévio).

Tratamento

O tratamento depende do estágio em que a doença é diagnosticada. Após o diagnóstico, exames de estadiamento permitem definir a extensão da doença e são fundamentais para a programação do melhor tratamento. O tratamento em linhas gerais é multidisciplinar, e envolve o cirurgião, o oncologista clinico e o radioterapeuta em casos de câncer de reto. O pilar do tratamento do câncer de colon é a cirurgia, e em alguns casos é complementado por quimioterapia pós-operatória (adjuvante). No caso do câncer de reto pode ser necessária a utilização de radioterapia associada à quimioterapia, e muitas vezes este tratamento é realizado antes da cirurgia. Em casos de câncer de colon ou reto avançado (metastático) a quimioterapia (tratamento sistêmico) tem um papel fundamental. Em algumas situações, a ressecção de metástases (hepáticas ou pulmonares por exemplo) também é indicada.

Redação: Israel Gonçalves Vilaça
Revisão: Alexandre Fonseca