CÂNCER DE COLO UTERINO

O que é?

O Câncer de colo uterino é um problema de saúde pública mundial, especialmente nos países em desenvolvimento onde os programas de prevenção desta patologia têm menor abrangência. Segundo tumor mais frequente na população feminina, atrás apenas do câncer de mama, é a quarta causa de morte de mulheres por câncer no Brasil. Por ano, faz 5.000 vítimas fatais e apresenta 16.340 novos casos. Na década de 1990, 70% dos casos diagnosticados eram de doença invasiva, um estágio mais avançado. Atualmente 44% dos casos são de lesões pré-malignas, chamadas in situ. Mulheres com lesões iniciais, se tratadas adequadamente, têm praticamente 100% de chance de cura.

Fatores Predisponentes

A infecção persistente pelo papilomavírus humano (HPV) tem papel fundamental no desenvolvimento do câncer de colo do útero. Estudos demonstram que o vírus está presente em mais de 90% dos casos. O início precoce da atividade sexual e a promiscuidade figuram entre os principais fatores de risco. A prevenção pode ser feita usando-se preservativo durante a relação sexual, evitando assim o contágio pelo HPV. O tabagismo (diretamente relacionado à quantidade de cigarros fumados) e o uso prolongado de pílulas anticoncepcionais também estão relacionados a um maior risco de desenvolvimento deste tipo de tumor.

Sinais e Sintomas

É uma doença de evolução lenta e silenciosa, geralmente cursando sem sintomas na sua fase inicial, podendo evoluir posteriormente com sangramento vaginal intermitente (frequentemente após a relação sexual), secreção vaginal anormal e dor abdominal associada a queixas urinárias ou intestinais nos casos mais avançados.

Prevenção e diagnóstico

O exame preventivo do câncer do colo do útero (Papanicolau) é a principal estratégia para detectar lesões pré-cancerígenas e fazer o diagnóstico precoce da doença. Ele pode ser feito nas unidades básicas de saúde ou no consultório médico durante o exame ginecológico. Sua realização periódica permite reduzir significativamente a mortalidade pela doença. É indolor, simples e rápido.

Para garantir um resultado correto, a mulher não deve ter relações sexuais (mesmo com camisinha) nos dois dias anteriores ao exame, evitar o uso de duchas, medicamentos vaginais e anticoncepcionais locais nas 48 horas anteriores à realização do exame. É importante também que não esteja menstruada, porque a presença de sangue pode alterar o resultado.

Mulheres grávidas também podem se submeter ao exame, sem prejuízo para sua saúde ou a do bebê.

O Papanicolau deve ser realizado em toda mulher entre 25 e 64 anos que tenha ou já teve vida sexual. Inicialmente a coleta deve ser realizada anualmente. Após dois exames consecutivos com resultado normal, o preventivo pode passar a ser feito a cada três anos.

O exame poderá apresentar os seguintes resultados:

  • Negativo para câncer: se esse for o primeiro resultado negativo, deverá ser feita nova coleta em um ano. Caso o resultado tenha sido negativo no último ano, repetir o exame em 3 anos.
  • Alteração (NIC I): repetir o exame em seis meses;
  • Outras alterações (NIC II e NIC III): o médico decidirá a melhor conduta. Outros exames poderão ser necessários (colposcopia por exemplo);
  • Infecção pelo HPV: repetir o exame em seis meses;
  • Amostra insatisfatória: Repetir o exame o quanto antes, o material da coleta não foi adequado para a análise.

Recentemente foi aprovada a comercialização no Brasil de duas vacinas usadas na prevenção das infecções pelo HPV (Gardasil® e Cervarix®). Elas protegem o indivíduo contra dois ou quatro subtipos do vírus: o 6 e o 11 (presentes em 90% dos casos de verrugas genitais) e o 16 e 18 (de alto risco para o câncer do colo o útero, presentes em 90% dos casos de câncer de colo uterino). Estão indicadas sua administração em homens e mulheres entre 9 e 25 anos. É importante enfatizar que as vacinas não protegem contra todos os subtipos do HPV. Sendo assim, o exame preventivo deve continuar a ser feito mesmo em mulheres vacinadas.

Tratamento

Uma vez diagnosticado câncer de colo uterino, o tratamento deverá ser individualizado e orientado por um médico especialista. As principais opções terapêuticas são a cirurgia, quimioterapia, radioterapia e a braquiterapia, utilizadas isoladamente ou em associação. O tipo de tratamento dependerá do tamanho do tumor, sua extensão para estruturas locais e fatores pessoais, como idade e desejo de ter filhos.

Redação: Dr Ellias M. e Abreu Lima
Revisão: Dr Alexandre Fonseca